10 dezembro 2007

Um conto de Natal....

Fazia um frio terrível; caía a neve e estava quase escuro; a noite descia: a última noite do ano. Em meio ao frio e à escuridão uma pobre menininha, de pés no chão e cabeça descoberta, caminhava pelas ruas.
Quando saiu de casa trazia chinelos; mas de nada adiantavam, eram chinelos tão grandes para seus pequenos pézinhos, eram os antigos chinelos de sua mãe.
A menininha os perdera quando escorregara na estrada, onde duas carruagens passaram terrivelmente depressa, sacolejando.
Um dos chinelos não mais foi encontrado, e um menino se apoderara do outro e fugira correndo. Depois disso a menininha caminhou de pés nus - já vermelhos e roxos de frio. Dentro de um velho avental carregava alguns fósforos, e um feixinho deles na mão. Ninguém lhe comprara nenhum naquele dia, e ela não ganhara sequer um níquel.
Tremendo de frio e fome, lá ia quase de rastos a pobre menina, verdadeira imagem da miséria! Os flocos de neve lhe cobriam os longos cabelos, que lhe caíam sobre o pescoço em lindos cachos; mas agora ela não pensava nisso.
Luzes brilhavam em todas as janelas, e enchia o ar um delicioso cheiro de ganso assado, pois era véspera de Ano-Novo.
Sim: nisso ela pensava!
Numa esquina formada por duas casas, uma das quais avançava mais que a outra, a menininha ficou sentada; levantara os pés, mas sentia um frio ainda maior.
Não ousava voltar para casa sem vender sequer um fósforo e, portanto sem levar um único tostão.
O pai naturalmente a espancaria e, além disso, em casa fazia frio, pois nada tinham como abrigo, exceto um telhado onde o vento assobiava através das frinchas maiores, tapadas com palha e trapos.
Suas mãozinhas estavam duras de frio.
Ah! bem que um fósforo lhe faria bem, se ela pudesse tirar só um do embrulho, riscá-lo na parede e aquecer as mãos à sua luz!
Tirou um: trec! O fósforo lançou faíscas, acendeu-se.
Era uma cálida chama luminosa; parecia uma vela pequenina quando ela o abrigou na mão em concha...
Que luz maravilhosa!
Com aquela chama acesa a menininha imaginava que estava sentada diante de um grande fogão polido, com lustrosa base de cobre, assim como a coifa.
Como o fogo ardia! Como era confortável!
Mas a pequenina chama se apagou, o fogão desapareceu, e ficaram-lhe na mão apenas os restos do fósforo queimado.
Riscou um segundo fósforo. Ele ardeu, e quando a sua luz caiu em cheio na parede ela se tornou transparente como um véu de gaze, e a menininha pôde enxergar a sala do outro lado.Na mesa se estendia uma toalha branca como a neve e sobre ela havia um brilhante serviço de jantar. O ganso assado fumegava maravilhosamente, recheado de maçãs e ameixas pretas. Ainda mais maravilhoso era ver o ganso saltar da travessa e sair bamboleando em sua direção, com a faca e o garfo espetados no peito! Então o fósforo se apagou, deixando à sua frente apenas a parede áspera, úmida e fria.
Acendeu outro fósforo, e se viu sentada debaixo de uma linda árvore de Natal. Era maior e mais enfeitada do que a árvore que tinha visto pela porta de vidro do rico negociante. Milhares de velas ardiam nos verdes ramos, e cartões coloridos, iguais aos que se vêem nas papelarias, estavam voltados para ela. A menininha espichou a mão para os cartões, mas nisso o fósforo apagou-se. As luzes do Natal subiam mais altas. Ela as via como se fossem estrelas no céu: uma delas caiu, formando um longo rastilho de fogo.
"Alguém está morrendo", pensou a menininha, pois sua vovozinha, a única pessoa que amara e que agora estava morta, lhe dissera que quando uma estrela cala, uma alma subia para Deus.
Ela riscou outro fósforo na parede; ele se acendeu e, à sua luz, a avozinha da menina apareceu clara e luminosa, muito linda e terna.
- Vovó! - exclamou a criança.
- Oh! leva-me contigo!
Sei que desaparecerás quando o fósforo se apagar!
Dissipar-te-ás, como as cálidas chamas do fogo, a comida fumegante e a grande e maravilhosa árvore de Natal!
E rapidamente acendeu todo o feixe de fósforos, pois queria reter diante da vista sua querida vovó. E os fósforos brilhavam com tanto fulgor que iluminavam mais que a luz do dia. Sua avó nunca lhe parecera grande e tão bela. Tornou a menininha nos braços, e ambas voaram em luminosidade e alegria acima da terra, subindo cada vez mais alto para onde não havia frio nem fome nem preocupações - subindo para Deus.
Mas na esquina das duas casas, encostada na parede, ficou sentada a pobre menininha de rosadas faces e boca sorridente, que a morte enregelara na derradeira noite do ano velho.
O sol do novo ano se levantou .
A criança lá ficou, paralisada, um feixe inteiro de fósforos queimados.
- Queria aquecer-se - diziam os passantes.
Porém, ninguém imaginava como era belo o que estavam vendo, nem a glória para onde ela se fora com a avó e a felicidade que sentia no dia do Ano­ Novo.
Hans Christian Andersen

30 novembro 2007

Agenda de Dezembro


Agenda de Dezembro



8 de Dez-17:00h-Sessão de contos de Natal (evento fechado)
9 de Dezembro- 16:00h-Sessão de contos- Maia(evento fechado)
11 a 12 de Dez-10:30 - Sessão de Contos-Alcobaça( evento fechado)

14 de Dez-10 as 13:00h- Atelier de Expressão Dramática-Alpiarça

17 a 22 de Dez-10:00 as 17:30h- Atelier de Dança Criativa para crianças - Casa de Cultura –Silves
29 de Dez- 11:00 h -Sessão de contos - Livraria Salta Folhinha - Porto ( aberto ao público)

04 novembro 2007

Um mito aborígine astrauliano


Há muitos e muitos anos, na primavera do universo, quando tudo o que existe na terra era jovem, duas irmãs caminhavam pelos campos cobertos de belíssimas flores.Saciavam a fome com as deliciosas raízes que tiravam da terra.

Certa vez, ao anoitecer, uma das meninas abaixou-se para colher uma flor que chamou a sua atenção por ser maior que todas as outras.

Ao observar as pétalas, viu estampada numa delas o rostinho de um bebê.A carinha era tão bonita que a amenina arrancou um pedaço de casca de árvore e com ele fez uma caixinha , onde guardou a flor.

Era como se a flor fosse o seu grande tesouro e ela quisesse protegê-lo.Pôs a caixa num galho de árvore e , todas as tardes,depois do passeio, ia visitá-la.E não contou o segredo para a irmã.

Acontece que lentamente a flor foi se transformando num garotinho que , a cada dia, ficava mais forte e saudável.O verão terminou.Com a chegada do outono, as noites começaram a esfriar e a criança , a enfraquecer.Seu rostinho afinou.A menina encontrou uma coberta feita de pele de animal e agasalhou o bebê -flor.

Um dia ela contou a irmã sobre o seu estranho filhinho.A irmã ficou muito feliz com a novidade.Juntas, cuidaram do garotinho com toda a dedicação.Conforme ele foi crescendo, as duas o ensinaram a falar, cantar, caçar e alimentar-se.

Quando se tornou um jovem, o menino se transformou em Mulian, o gavião, e partiu voando para os céus.Mas sempre regressava para visitar sua mães, as irmãs que o haviam colhido no campo florido.Ao sentir que já estava velhinho, converteu-se numa estrela do céu para continuar a iluminar as crianças que,como as duas mães-meninas, amam e protegem as flores da terra.


( história da mitologia aborígine australiana)

24 outubro 2007

Contar & Encantar-Curso de contadores de histórias em São Paulo

As inscrições para o workshop de São Paulo foram prorrogadas até o dia 21.11.



Público Alvo: Educadores, contadores de histórias,bibliotecários, atores, terapeutas e interessados no tema.

Máximo de participantes: 20

Mínimo de participantes: 10
Orientação: Clara Haddad – Atriz e Contadora de Histórias

Carga Horária: 9:00 as 17:30 (com intervalo de almoço)
Investimento: 160 reais
Informações : (11) 5641-1289 (11) 5642-0280 -Falar com Clara ou Sandra
Local: Paço do Baobá, 64 - R .Michael Kalinin, 64( perto da USP )Butantã-SP
Data: 24 E 25 de Novembro ( sab e dom)


****Curso com certificado****

****Informações e reserva de vaga envie um e-mail para contosdacarochinha@gmail.com


******** o participante deve levar uma ou duas histórias pequenas que goste ( máximo 1 página cada) para ser trabalhada no curso. Ir com roupas confortáveis**********

mapa do local:

http://maps.google.com.br/maps?f=q&hl=pt-BR&geocode=&q=S%C3%A3o+Paulo+Rua+Michael+Kalinin&sll=-23.576863,-46.719989&sspn=0.011249,0.019312&ie=UTF8&ll=-23.571658,-46.720004&spn=0.01125,0.019312&z=15&om=0


15 outubro 2007

Workshop Contar & Encantar com histórias de fazer sonhar-Casa Duvivier-RJ e Paço do Baobá -SP

Clique na imagem para ler****

O workshop sobre a arte de contar histórias que vou orientar tem como público alvo educadores , terapeutas , atores e interessados em geral.
Vai ser realizado nos dias 10 e 11 de Novembro na Casa Duvivier no RJ( r.Rumânia, 14 - rua da CAL-Laranjeiras)
e 24 e 25 de Novembro no Paço do Baobá em São Paulo( R.Michael Kalinin, 64 Butantã -perto da USP)
Serão dois dias intensivos onde será priorizada a parte prática com exercícios individuais e em grupo e também algumas informações teóricas para dar base ao trabalho.O objetivo do workshop sobre a arte de contar histórias é :
-Introduzir os participantes do curso, na arte de contar histórias, através de abordagens teóricas e práticas
- Descobrir o contador que existe dentro de cada um de nós
-Desenvolver capacidades expressivas (verbais e não verbais) através de exercícios e desenvolvimento de técnicas
-Destacar a importância de narrar histórias como feito artístico em si
-Dar a conhecer técnicas e estimular a criação de repertório

Para maiores informações e reservas de vagas:
(11)-8259-6166 / (11) 5641-1289( 11) 5642-0280 falar com Clara ou Sandra

O valor do curso no RJ é de 150 reais e 160 Reais em SP.





08 outubro 2007

Festival A arte de Contar Histórias -Brasil


“Uma boa história é aquela que faz rir, chorar ou ter medo” disse certa vez a neta da escritora Tatiana Belinky – uma das mais importantes autoras brasileiras de livros infanto-juvenis da atualidade. A fórmula da menina parece determinar toda a programação do Festival A Arte de Contar Histórias que reúne contadores de diferentes estilos em 28 bibliotecas e seis parques da cidade. Fábulas sobre bruxas, assombrações, princesas, bichos e personagens do folclore brasileiro poderão ser apreciadas a partir do dia 16.Para abrir o evento, a Biblioteca Hans Christian Andersen oferece oficinas, mesas-redondas e palestras com Chico dos Bonecos, Valdeck de Garanhuns, César Obeidm, grupo Meninas do Conto entre outros representantes do gênero. No mesmo local, será inaugurado dia 27 um acervo temático de contos de fadas.
Abaixo a programação das palestras , cursos e mesas-redondas.A programação completa está no site da prefeitura .
ABERTURA
Dia 16 9h Oficina O objeto na construção da imagem, com Sandra Vargas. 30 vagas.
14h O conto maravilhoso, com Ricardo Azevedo.
16h Narração do conto Assim me contaram, assim vos contei, com Cia. Contos de Todos os Cantos.

Dia 17 9h Oficina O corpo e a voz na construção da imagem, com o grupo Meninas do Conto. 30 vagas.
14h Mesa redonda A diversidade da narrativa - mesa-redonda com os contadores de histórias Chico dos Bonecos, Clara Haddad, Cris Velasco e o Grupo História Aberta. Mediação de Ilan Brenman.
16h Roda de histórias.

Dia 18 9h Oficina A palavra na construção de imagens, com Giba Pedroza. 30 vagas.
14h O espaço do contador de histórias - relato de experiências de contadores de histórias com Ana Luíza Lacombe, Alice Bandini e Valdeck de Garanhuns. Participação do Grupo Era Uma Vez. Mediação de Kelly Orasi.
16h Roda de histórias. Biblioteca Hans Christian Andersen

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